quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eu escrevi um poema triste.


Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana

domingo, 15 de novembro de 2009

Inexatos


E se eu te contar que eu sempre te quis? E se eu te explicar que esse sempre quer dizer sempre mesmo? Sim, antes de nascermos, antes de sermos Bruna e Bruno, antes do antes que você está pensando. Você acreditaria em mim? Você acreditaria se eu te contasse que sei mais de você do que pensas que sei?
Meio improvável, quase impossível, talvez não, talvez sim, certamente. Não me importo, eu sei e sinto independente de quanto ou quando, sem data de fabricação ou prazo de validade.


Bruna Berri

segunda-feira, 2 de novembro de 2009


"Todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito. E que a solidão é pretensão de quem fica escondido, fazendo fita."

Cazuza

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dilacerando sonhos


E veja só o amor me dilacerando por inteira; por cima, por baixo, dentro, fora, por todos os lados. Veja o quanto o amor mistura todos os sentimentos do mundo. Todos os sentimentos do mundo resumidos por você. E você, meu amor, você tem os fios vermelhos e azuis nas mãos e sabe bem o que fazer com eles. Sabe bem o que fazer comigo.
O amor desorganiza dias, e idéias, e momentos, e todos os sonhos. O amor destruiu o que tínhamos de mais relevante, o amor destrói a frieza, meu bem, destrói a razão. O amor nos deu a graça, nos devolveu a infância. O amor é tudo aquilo que eu sempre quis te falar e te mostrar e te sentir e te dar de vez em quando. E agora eu preciso tanto desse amor, preciso tanto de você e de todos os meus sonhos acordados. Preciso tanto de seu sorriso, de seu abraço, e de sua cara estou-bravo-mas-fique-por-perto que, caramba! Fica aqui até que meu coração pare de acelerar ao seu lado?


Bruna Berri

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Espera invísivel




Ele só volta às vezes, quando está curado. Sempre partiu destruído, em pedaços. Por que você o destrói? Não menina, você não vai reconstruí-lo dessa vez. Quando ele parte, parte sem planos para voltar, sem data de retorno. E se volta, não vai lembrar. Perda de memória recente? Talvez antiga, talvez nem perca.
Talvez só finja, porque você é uma farsa menina. Mas não se preocupe, não fosses a única...
Ele esqueceu quem é.
Veja só que curioso, ele não se lembra de nada. E talvez nem volta, nem venha, nem vá. Talvez ele não lembre porque só você lembra, menina. Só você sabe. Sabe como ele é, quando é, quanto é. Apenas você. Só.
E nunca vai apresentá-lo a seus pais e amigos, nunca irá levá-lo a lugar nenhum. Porque lugar nenhum, minha pequena, não existe. Lugar nenhum é onde ele está. Ou não está. E jamais saberá, jamais irá visitá-lo.
Mas como querer tão bem a ninguém? Diga-me como conseguisses esta façanha. Pare de esperar e entenda. Ele não vai voltar porque nunca existiu. E nunca existirá.

Bruna Berri

terça-feira, 13 de outubro de 2009


Entre a razão e a emoção eu escolhi você.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Antes de Você


Antes... não pensava em você
Agora... tudo é uma lembraça sua
Nunca... me preocupei, com você
Hoje... já não faço outra coisa

Bruno Pereira Nikel

Letra da música: Antes de você - Titãs.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Há dias em que não me preocupo mais; deixe estar baby.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


"Você está feliz?
Estou.
Muito ou pouco?
Muito.
Muito quanto?
Totalmente feliz.
Nível 1, nível 2 ou nível 3?
Nível 3."

Fernanda Young

sábado, 19 de setembro de 2009

E você nem sabe.



Se você soubesse tudo o que eu penso, tudo o que eu sinto quando não lhe tenho aqui, quando lhe tenho aqui. É grande, forte, imenso. Mas você não sabe, e eu estou aqui - mais uma vez - pedindo encarecidamente que você não duvide mais de mim e de tudo o que não sei te dar.
Encanto-me com suas surpresas, inesperadas, imprevisíveis. Imprevisível como o destino que está entre nossos dedos... Não podemos nos perder de novo, não podemos nos deixar escapar, não funciono pela metade. Sufocante, comprime o peito e só eu sei o quanto é bom respirar ao seu lado.
O quanto é bom sentir o vento nostálgico tocar minha face e chegar trazendo você. E todos os seus sorrisos, olhares, abraços, e mais tudo aquilo que faz com que eu me sinta tão viva, tão eu. Só não me peça para parar quieta, tenho tanta ânsia em viver tudo o que preciso ao seu lado que um minuto de quietude é perder tempo demais.
E saiba, meu amor, que vou estar aqui quando você abrir os olhos, para que quando esse sonho todo acabar continuemos intactos e reais. Para que a gente continue, sempre...


Bruna Berri

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Felicidade não se resume em palavras.


O meu sentimento é algo inexplicável, algo tão, tão... tão inexplicável. Se conseguisse resumir ele em palavras estaria mentindo e sendo injusto. Porque algo que eu não consigo guardar apenas para mim, algo que não sou capaz de conter, comprimir em palavras e esperar que eles causem o mesmo efeito do meu sentimento, seria, no mínimo, estupidez. Certas pessoas entram em nossa vida com a maior simplicidade e a incrível capacidade de marcá-las, de tal modo que imaginamos não conseguir viver longe dela, e para tornar a saudade suportável é por ti que fecho os olhos todas as noites e a tenho presente. Mas algo eu posso dizer com imensa sinceridade, que pretendo te levar pra sempre na minha vida, através de recordações boas dos momentos contigo que jamais esquecerei. E me lembrarei com orgulho. Só tenho a dizer: Obrigado por tudo!

Bruno Pereira Nikel

terça-feira, 1 de setembro de 2009


"Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração?"


Fernanda Young


"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo."


Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, 25 de agosto de 2009


Então vai, continua, me congela por inteira.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Liberdade solitária


E lá estava Thomas de novo a desenhar-se vazio. Não desenhava seu corpo em si, mas sim a solidão que o habitava. Solidão da qual apreciava, da qual absorvia sabor doce, quase enjoativo. Não tão enjoativo a ponto de querer jogar fora, só por alguns momentos...
Thomas não era triste. Thomas não era nada, porque Thomas era tudo. Thomas era aquilo que decidia ser, no momento mais adequado. Nunca foi verdade. Sempre, sempre mentira. Desde criança... Desde quando esbanjava para seus primos a quantidade gigantesca de amigos que o embalava no balanço, ninguém via seus amigos, ninguém os enxergava. Ninguém, nem mesmo seu cachorro, acreditou em sua verdade. Até que Thomas deu-se por convencido, e acreditou na mentira alheia. Thomas mentia.
Não tinha apego à coisa nenhuma. Nunca chorou pela perda de alguém, a não ser a sua. Thomas sempre chorava quando se perdia, quando não sabia o que fazer. Thomas chutava a porta e depois ria, não faria nada, ele sabia.
Thomas pensava em viver sozinho, distante, numa montanha – com um lago se possível. Esperava ser esquecido pelo mundo, e assim, quem sabe poder esquecer o mundo também. Porque o mundo, para Thomas, era faca de dois gumes. E as cicatrizes, tão profundas que quase não se viam, o incomodavam constantemente.
Thomas aprecia a escrita, mas só escrevia morto. Sabia bem que as palavras só desenhavam-se no papel quando estava ferido, sangrando. E conhecia bem seu lado masoquista, apreciava sua dor.
Thomas não sentia por ninguém, e ninguém sentia por Thomas. E gostava disso, do desapego. Odiaria depender da vida de alguém, odiaria ainda mais se dependessem da sua. Thomas era livre, solitariamente livre. Solitariamente embalado por amigos inexistentes, era assim que Thomas gostava de viver. Solitariamente.

Bruna Berri

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Em seu lugar


Gostava muito, impossível explicar. Sempre considerou a felicidade intensa demais para transformá-la em palavras.
Seu sorriso explicava tudo, impossível não sorrir diante daquele olhar. Olhar que tinha efeito de cócegas nos joelhos, cócegas na barriga, cócegas onde quer que fosse. Olhar que derretia o gelo, aquecia a vida. Olhar que por vezes tão distante preocupava instantaneamente... "Ei, volta pra cá. Estou aqui agora, sempre estive."
Seu abraço sufocava os medos, as dores, e só deixava ali seus vazios cada vez mais preenchidos. E então esquecia do mundo... "Espera, põem os pés no chão". Costumava ter sempre os pés firmes - quase enterrados - no chão, mas agora não estava, e gostava, amava.
Sabia bem de quem lembrava ao sentir o cheiro de chuva que entrava pela janela. Sabia bem quem era aquele que tocava o mais fundo de si. Sabia bem onde queria estar, e estava, amava.

Bruna Berri

domingo, 9 de agosto de 2009


"Há em você alguma coisa de mim. Alguma coisa que eu vejo e me acalma. Como se eu pudesse deitar de novo no lugar de onde vim, pois só você sabe que lugar é esse. Então você me entende. E eu não me entendo tanto quanto entendo de ti. Talvez isso seja amor. Talvez não. Seja lá o que for, é incondicional."


Fernanda Young

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"Quantas vezes é possível perder algo ou alguém por um simples mal entendido? Quantas e quantas vezes a palavra não serve para nada, ou pior, presta-se apenas para piorar o estado das coisas? Não que o silêncio seja esclarecedor. O silêncio num rosto inexpressivo é um túmulo."

Fernanda Young

Relances solitários



Sou a favor daqueles que pensam em não dizer. Se você não sente, não diga... Pois há quem sinta, e quem espera ouvir, e há quem cairá ao perceber o quão fracas podem ser as palavras. Se você não espera perder o seu fôlego, não tranque a respiração. Pois vai parar de respirar assim que quiser mais e isso sufoca. E, particularmente, isso me sufoca de uma maneira irreversível... Céus! Não quero partir, não quero desistir agora. Contudo, quando se está à beira de um abismo, ele te consome por inteiro. E se você não espera ser controlado, mantenha seu controle intacto.

Mas não há nada que me tire tanto o controle quanto sua indiferença.


Bruna Berri

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Me deixa.


E lá vou eu chorar minutos e minutos, como se chorar resolvesse muito de meus problemas. Lá vou eu afundar a cabeça no travesseiro como se isso fizesse adormecer todos os meus medos, minhas insônias. E então eu sento no telhado e experimento o vazio, quisera eu permanecer sozinha no frio por muito tempo... Até que os sentimentos congelassem e eu não chorasse por mais nada.
E como eu odeio passar frio. E veja só quantas estrelas no céu, quanto fogo nesse inverno... O qual obviamente não posso sentir. Um arco-íris nas mãos de um cego. Depois me perguntam por que diabos não sonho. Sonhar? Sonhar pra quê? Quero tudo imediatamente, mas de imediato não posso querer nada.


Bruna Berri

domingo, 26 de julho de 2009


"Milhões de vasos sem nenhuma flor."

domingo, 19 de julho de 2009

Incompreendida


Não, não é que gostasse pouco ou que quisesse esquecê-lo, pelo contrário. Gostava demais. Gostava tanto que aquilo lhe tirava o fôlego, aquilo lhe roubava todos os pensamentos do dia. Todo aquele desespero, toda aquela dor haviam apodrecido. Agora dor só sentia de saudades.


Bruna Berri

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Inativa


Eu te mataria todas as noites quando roubas o meu sono, quando roubas os meus sonhos. Destruiria todas as lembranças que me levam ao telhado no inverno. Acabaria com todo esse desconforto que sinto quando estou sozinha. Eu te cortaria em pedaços, mas em fragmentos tão pequenos que nem o diabo te reconheceria. Fingiria mil defeitos, fingiria mil sorrisos.
Eu te mataria todas as vezes que me sinto inofensiva. Te moeria a cada lágrima que eu derramasse. Te perderia todas as vezes que a distância nos vencesse. Te esqueceria só para lembrar mais de mim. Só para ter certeza que há pessoas que não se apagam, só para certificar o quão tola eu seria ao fracassar em todas as tentativas de te tirar de mim.


Bruna Berri

terça-feira, 14 de julho de 2009


Encontrei o que me faltava: era você, sempre você.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Devo ser.



Sou o silêncio perturbado, a penumbra constante, utopia de voltar. Sou o olhar transparente, o sorriso cansado, perfume solto no ar. Não encosta em mim esse gelo todo, não me deixa esfriar. Tenho ânsia de viver, não me deixa esperar. Sou o lado impulsivo, lado esquisito, lado sombrio. Sou a confusão incompreendida, a loucura da vida, o reflexo vazio. Sou a ausência presente. Insegurança carente. Sou o passar distraído, o gosto amargo do frio, o sentimento escondido. Sou a imagem contorcida, a história incompleta, o beijo de despedida.
Sou o tudo, sou o nada. Sou? Quero ser. Sou o encontro esquecido, o pedido de atenção.
Não me perca. Não se vá. Fique mais um pouco nesse sonho rouco de amar na solidão.


Bruna Berri

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ele toca.


Eram quase 3 horas, mas dessa vez quem pensava era ela.
Ah, vai, não pára de ligar. Ela esperava tanto por isso, ela gostava tanto que não sabia nem demonstrar - sabemos bem que demonstrar não é seu ponto forte.
Mas o que é que você tinha que a fazia sorrir tanto? Só Deus sabe. Porque ela queria tentar entender, mas era o seu jeito inexplicável de ser que a encantava.
Ah, vai, conta mais uma piada que ela sempre pára para ouvir. Ela sempre pára ao ouvir seu nome, ao tocar o telefone. E coração, não tenha dúvidas, ela também anda sentindo sua falta.
Mas esse era o nosso segredo.

Bruna Berri

segunda-feira, 29 de junho de 2009


“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”


Clarice Lispector

quinta-feira, 25 de junho de 2009

E o dia nasceu feliz



Hoje ela estava espetacularmente feliz, vestia seu melhor vermelho. Flores amarelas por todos os lados... E flores amarelas sempre dizem muito por si mesmas; amor eterno. Amarelo e vermelho lhe caem bem. Hoje ela cantarolava várias músicas, boas e ruins, antigas e atuais. Hoje, enquanto ela corria dentro de seu mundo, esbarrou consigo mesma. Hei, ela é completa.
Hoje se descobriu completa. E para que tantas tristezas? Ela pertencia ao mundo, e o mundo pertencia a ela. Para que mais do que isso?
Hoje ela abriu as janelas e deixou o sol entrar, respirou fundo o cheiro de manhã úmida. Hoje acordou disposta a viver. Mais forte e segura do que costumava ser, hoje acordou disposta a deixar pra lá tanta coisa. Acordou pensando na Irlanda, na Itália e Inglaterra, um dia iria para lá – sempre dizia.
Hoje ela acordou pensando em não dormir. Tomou um banho tão quentinho que derreteu seu corpo todo, seu coração endurecido. Não queria mais saber de ninguém, estava satisfeita consigo mesma, pela primeira vez desde então. Hoje acordou respirando a vida nova que estava chegando, amanheceu o dia dando boas-vindas ao que tinha de melhor.
Hoje acordou.
Hoje é o presente... E presente ganho não se recusa.


Bruna Berri

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ansiedade


Por quem diabos permaneço aqui? Por mim, claro, sempre por mim. Sempre tão egocêntrica, não é? Certas coisas nunca mudam.
Mas eu nunca sei o que fazer, sempre levada com o vento, carregada pelo destino. E você sempre, sempre, muito seguro de si... Com os pensamentos certos na hora certa. Sabe esperar. Mas eu não, sempre roendo minhas unhas, balançando meus pés e batucando com os dedos. Inquieta. Ansiosa. Eu nunca espero a hora. Sempre como até doer o estômago. Sempre quero mais do que posso ter.
E eu queria tanto, tanto. Dessa vez eu queria muito, de verdade. Mas eu não posso. Como o meu estômago então. Eu não sei ser assim tão paciente. Eu não sei esperar. Não me peça para esperar, por mais que sabemos que eu esperaria até não restar mais nada por aqui. Tente ser pontual dessa vez. Tente.
Mas até quando aguentarei permanecer debaixo dessa chuva seca? Até quando?


Bruna Berri

sábado, 13 de junho de 2009

Sussurros


Era mesmo assustador ouvir todas essas respirações ofegantes, ansiosas a minha volta. De longe um breve cochicho acompanhado de olhares julgadores. É estranho fazer isso, ouvir o silêncio.
Porque quando se ouve o silêncio ele não se contenta só em ser ouvido. É preciso tocá-lo, senti-lo... É preciso deixá-lo entrar para que ele permita sua entrada nele.
E o silêncio é escuro, é o negro. Ele absorve tudo. E como eu me sentia sugada constantemente naquele lugar!
E como eu queria estar sozinha. Sempre fui arrogante demais para longas convivências, amarga demais para fazer alguém feliz. Sempre fui calada demais ao falar a verdade. E a falta de compreensão alheia perante meu silêncio me torna vazia. E como eu odiava ser vazia!
Ele jamais me entenderia... Ele jamais entenderia essa minha ausência de voz, mas eu sei que ele sabe. Fingimos que não. Finjo ter muito a falar, enquanto o que eu queria mesmo que fosse dito está entalado há tempos.


Bruna Berri


"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso." Clarice Lispector

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dane-se o mundo


Dessa vez eu estava tão cansada, tão exausta que chegava a faltar fôlego. E jurei para mim mesma que não ficaria desesperada novamente, que não perderia o chão, eu não me machucaria. Está tarde demais para isso, para esse drama todo.
Eu quero mesmo é que se dane. Dane-se seu sorriso. Danem-se suas músicas preferidas. Danem-se seus livros. Danem-se suas teorias. Dane-se sua maneira de ver o mundo.
Danem-se nossos planos. Dane-se nosso passado. Danem-se as viagens. Dane-se minha preocupação.
Dane-se meu sentimento. Dane-se a inexistência do seu.
Prestou atenção? Dane-se você.


Bruna Berri

terça-feira, 9 de junho de 2009


Eu ouvi promessas e isso não me atrai.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Procura-se um destino.


Afinal, onde é que ele estava? Acordou pensando nisso... Não estava ao seu lado, não estava em lugar algum. Existia? Existia, existia, tinha certeza disso. Em que lugar? Era tudo o que desejava saber.
Então abria a geladeira... Mas o que estava fazendo? Era óbvio que ele não estava lá. E não estava debaixo de sua cama, ou sentado na ponta da mesa, nem deitado no sofá. Isso já se sabia. Mas às vezes, quando acorda gélida, procurar tanto lhe tirava o fôlego. Porque não fazer nem idéia do que se procura é levemente sufocante.
Lhe disseram uma vez que saberia a hora. A hora. Quisera saber também onde essa encontraria. Mas não sabia - claro que não sabia.
Portanto espalhava pelas ruas sua crença por destino. Os pingos de chuva sempre trazem de volta sua confiança, sempre fazem com que não desista de sua procura.
Quem procura acha.
E não fazia nem idéia do quão próximo estava.


Bruna Berri

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Incerteza


Eu não entendia nada, nosso jogo era bem escondido. Não falávamos em grego, nem ao menos em latim, mas nossa linguagem era camuflada e enrolada. Não gostávamos de nos expor, mas estávamos tão próximos e tão distantes que isso nos mantinha unido. Eu sabia de tanta coisa, mas não sabia de nada. Como que poderia eu ter certeza? Às vezes penso que a certeza é a verdade, e a verdade não existe. Porque em algum instante, ele sempre acaba mentindo.
E as mentiras sempre me sufocam, sempre me fazem jogar tudo pro alto. Eram elas as donas de meu silêncio, de meu olhar incompreensível. E eu tinha medo que elas nunca acabassem, portanto a hora não chegaria. E ele nem fazia idéia do tempo que eu esperava pela hora certa. Ele não compreendia.
Mas não compreender, para mim, já é um bom sinal. O problema é quando não sentimos...


Bruna Berri

quinta-feira, 28 de maio de 2009


Ele disse que nem um livro de 10 mil páginas me explicaria. Nem um livro de 10 mil páginas... Que diabos de pessoa sou?


Bruna Berri

quarta-feira, 27 de maio de 2009


"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."

Clarice Lispector

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Onde ninguém vai me achar.


Eu tinha fome, sede, medo, frio, raiva. Eu tinha raiva. Hoje eu não queria companhia, não queria sorrisos, não queria TV ligada e música no carro. Hoje eu não queria opiniões, não queria gratidão. Hoje eu não estava pra ninguém. Hoje eu não estava para mim.
Mas eu queria minha cama, e um travesseiro abafador de gritos. Eu queria almofadas para soquear até meus braços cansarem. Hoje eu queria pular no vácuo. Queria apagar as luzes, mesmo com medo de escuro.
Eu queria esquecer, esquecer quem fui, esquecer quem sou. Esquecer o mundo, a família, os amigos, meu amor. É por isso que durmo tanto – ou hiberno como diriam os mais íntimos – Bela Adormecida sem beijos para despertar, sem príncipes e cavalos brancos. Eu deito para esquecer, para acalmar os batimentos, esfriar os neurônios. Deito para me esconder da vida, dos medos, dos seres. Deito para os minutos passarem rápido, para que eu não veja o mundo girando e eu aqui, sempre no mesmo lugar.
Deito porque sou medrosa, porque me acostumei em fugir.



Bruna Berri

quarta-feira, 20 de maio de 2009

13




Eu adoro a maneira que ele sorri e o jeito como se veste. Adoro o seu olhar observando o meu discretamente. Mas sem dúvidas, eu o adoro porque é inatingível.
Porque eu nunca vou poder saber se está tudo bem, se sua avó é saudável. Não vou cumprimentá-lo ao reconhecê-lo na rua, apenas olhar para trás quando já estiver distante. Não vou descobrir se ele prefere morango ou uvas, nem a sua cor preferida. Não vou abraçá-lo em seu aniversário. Proibido para mim.
Mas às vezes eu sonho, e quando sonho o improvável acontece. E se o improvável acontece, o inatingível brota em minhas mãos.

Bruna Berri

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bonecos de solidão



E eu havia esperado tanto por esse inverno e veja só, minhas pernas doem de frio. Esse vento afiado vem abrindo as feridas cicatrizadas. Flores congeladas, detestadas. Portões molhados no meio do caminho e ninguém para derrubar o orvalho. Filmes bons, chocolate quente e cobertores vazios, sem calor para armazenar. Galhos secos. Aleijados. Deformados. O céu cinzento não mudara de cor há dias, até mesmo a lua desistira de brilhar no céu esta semana.
Eu havia esperado tanto por esse inverno e veja só, minhas mãos geladas vão permanecer geladas por um bom tempo. As músicas que aprendi não vão ser apresentadas a ninguém. E vou andar pelas ruas molhadas falando sozinha.
Sozinha, sempre sozinha. Quisera eu não precisar enfrentar mais uma estação na frente de uma tela de cinema, comendo a minha pipoca com cadeiras vazias ao lado.


Bruna Berri

Um busca do pote de ouro


Ela estava realmente feliz. E certamente reservava consigo inúmeras razões para isso. O seu sorriso estava reluzente, enorme. E sentada em um gramado úmido, descobriu o mundo.
Inalava aquele cheiro de chuva fresca e barro molhado, os pingos gélidos da água cristalina escorriam por sua face lentamente, lavando sua alma aos pouquinhos. Seus pés desajeitados balançavam desastrosamente, deslizando sem medo no ritmo de uma dança. Sua doce voz cantarolava músicas inéditas, sem tempo para criar letras e concordâncias, sem tempo para se preocupar com uma imagem.
Ah, a sua imagem... Ela era muito mais que regras de etiqueta, cabelos penteados e uma reputação formada por algum qualquer, ela era a alegria contagiante de várias cores que se entrelaçavam formando uma só menina.
Em suas mãos girava um amado guarda-chuva vermelho. E como ela gostava de vermelho. Vermelho, cor de sangue, cor de vida. Vermelho, cor de maçã, de morango e melancia. Vermelho, cor de boca, cor de fogo, de perigo. Vermelho, a cor da paixão. E como ela gostava daquele guarda-chuva vermelho. Se sentia segura, protegida. Seu amuleto da sorte, companhia preferida.
Ela tinha um céu cinzento e um arco-íris encantador. As sete cores refletiam em seus olhos hipnotizados pelo desejo de não perder detalhe algum. Correu muito para alcançá-las, de braços abertos do tamanho do mundo. Porque ela sabia que em algum cantinho atrás das cores pouco nítidas havia escondido um pequeno baú. Um pequeno baú dourado que guardava todo o seu amor. Por detrás de um arco-íris gigantesco, perto de uma nuvem em forma de girafa e com cheiro de terra molhado ela cultivara seu melhor presente, reservado para o dia em que seu guarda-chuva vermelho não fosse mais assim, tão unicamente seu.


Bruna Berri

domingo, 10 de maio de 2009

Não procure saber onde estou.


Eu precisava sumir por um tempo, um ano ou um segundo. Está na hora de colocar tudo no lugar, entrar em sintonia com o vento de minha janela. Desvirar o mundo caído de cabeça para baixo.
Às vezes é preciso mandar tudo embora, jogar tudo fora. Aí depois se arrepender, e catar as coisas que continuaram intactas com a queda.
Eu precisava descobrir a minha força, ver até onde eu podia chegar, quantos segundos sem respirar. Porque só eu sei o quanto odeio os dias em que nada é suficiente. Em que eu queria chocolate e tenho açúcar. Hoje seria um bom dia para fazer isso, nesse céu envelhecido de inverno, mas eu sempre deixo para depois.
Amanhã eu cumpro todas as minhas promessas, amanhã eu termino de ler meu livro, amanhã eu termino de assistir o filme que assisti pela metade, amanhã eu estudo mais, amanhã eu durmo mais cedo e como uma comida bem gostosa.
Como eu queria acabar com isso!
E como eu podia acabar com isso!
Eu me tinha nas mãos, e podia jogar pra cima ou esmagar com os dedos. Mas esmagar com os dedos é coisa de gigante malvado, e jogar pra cima... é muito mais a minha cara.


Bruna Berri

segunda-feira, 4 de maio de 2009


Ele nunca sabe, ele nunca está aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Por favor, por onde fica "para lá"?


Ele era inexplicavelmente misterioso. Me deixava inquieta, irritada. Justo eu, que tanto preciso de estabilidade. Que necessito ter a verdade nas mãos. Quisera eu ter um pouco de certeza que essa verdade exista mesmo.
Eu queria tudo. Queria seguir seus passos, ler sua mente, adivinhar seus segredos, descobrir suas incógnitas, saber seus filmes preferidos, o número do seu calçado, suas manias escondidas. Mas o que eu mais queria, como mais profundo desejo, era saber se ele me amou, nem que fosse por um segundo.
Porque ele era curiosamente indecifrável, e eu não conseguia arrancar nada, nem uma palavra, nem um segredo, nem um fiozinho de sentimento. Era tudo tão endurecido, tão petrificado, que de tanto insistir no mesmo ponto acabei ralando os dedos.
Eu me sentia estranhamente frágil, insegura, indecisa. Não gostava disso, desse jogo de perguntas sem respostas. Eu tinha tanto a perguntar, tanto a dizer, e eu só precisava de um incentivo. Tanta coisa mal resolvida, tanta coisa que foi deixada para lá.
Ele, ele foi deixado para lá. Ele se deixou para lá. Ele me deixou para lá.


Bruna Berri

segunda-feira, 27 de abril de 2009



"Você não sabe, nem sonha, mas você acaba de zerar minha vida”. 

Tati Bernardi

domingo, 26 de abril de 2009


"E dessa vez, quem foi embora fui eu. Porque, afinal de contas, se a vida andou sem mim, não faz sentido nenhum eu parar por alguém que eu, em algum momento, resolvi deixar pra lá."

Rani Ghazzaoui

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Relógio no vácuo


Incompreensível a maneira que ela parecia derrotada. Suas costas curvavam para frente, não suportando mais o peso que o mundo colocara nas mesmas. Seu desgosto era visível, sentada em um banco sujo esperando o táxi chegar. As rugas ao redor de sua boca eram fundas, expressavam falta de sorrisos, falta de movimento aos músculos.
Ela estava cansada e quando olhava seu relógio dourado, parecia contar os minutos que lhe restavam de vida, torcendo para que passassem rápido. Os pés eram os únicos que expressavam movimento naquele corpo endurecido, tremiam ansiosamente, derrubando a poeira que a vida formara.
Seus olhos eram parecidos com os meus, castanhos cor-de-argila, observando o nada permanente em sua frente, o vácuo vivo. Seus olhos eram descontentes, relatando a dor que obviamente estaria sentindo em seus ossos curvados e a contrariedade ao ver tantas crianças obscenas. Seus olhos só desviaram a atenção do seu mundo interior quando observaram os meus. Observando-a cuidadosamente, jamais discretamente, minhas sobrancelhas expressavam indignação, como poderia ela estar triste com a vida? Ela tinha chego ao fim, estava quase na reta final, havia suportado tudo, aprendido, crescido, ela estava em pé, aparentemente sadia, aparentemente sozinha. Ficamos assim, nos encarando por mais ou menos 5 segundos, repassando informações, experiências. Entendi tudo, meus olhos eram 60 anos mais novos que os delas, e eu tinha muito a viver ainda. Eu cuidaria da minha saúde, cuidaria dos meus amigos, cuidaria dos meus pais infinitamente, quantas vezes fosse preciso. Cuidaria principalmente do meu sorriso, para que quando ele se desgastasse, eu teria um prazer ainda maior em mostrá-lo a todos.


Bruna Berri

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A certeza não nos trai



Me sinto muito bem ultimamente, encontro aos poucos pedaços de mim que não se manifestavam há tempos. Encontro perdido longe de mim sorrisos que eu buscava desesperadamente há meses. Longe de mim, mas ao mesmo tempo presente constantemente.
Acho engraçada a maneira que não me surpreendo com você. Não que sejas comum – longe disso – mas já pareço acostumada com suas manias e imperfeições bizarras.
Complicado dizer que gosto tanto de seus defeitos como de suas qualidades, porque são principalmente neles – nos defeitos quase imperceptíveis – que encontro a nossa graça. A mesma graça que faz meus músculos faciais se contorcerem em um sincero, enorme, sorriso no meio da rua, na chuva, com frio.
Não consigo encontrar algo que me perturbe, que me incomode. Gosto de suas intromissões e inconveniências incomuns. Gosto do jeito moleque que sorri. Do jeito que meche a boca quando está ansioso. Do jeito que imagina a vida, que sonha com a vida. Do jeito inconsciente que cuida de mim, me tratando de igual para igual. Gosto do jeito...
Sabe, é isso, é o jeito que faz tudo tão intacto, tão real. Era a certeza da verdade, e é essa verdade que faz com que eu me sinta muito bem ultimamente. E meu medo vai embora. Porque temos tanto a aprender, tanto a descobrir, tanto a segurar com as mãos e não deixar cair... Que não poderíamos estar menos eufóricos.
Então querido, não se preocupe tanto comigo, enquanto você estiver aqui eu estarei feliz!


Bruna Berri

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Cuide de quem corre do seu lado e de quem te quer bem. Essa é a coisa mais pura.


(Pontes indestrutíveis - Charlie Brown Jr.)

segunda-feira, 20 de abril de 2009


"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza."


Caio Fernando de Abreu


"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."


Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Desejo proibido



Caso o amor não fosse tão grande, ela partiria. Não olharia para trás, não evitaria olhares e sorrisos. Lavaria todas as roupas com o cheiro dele e as usaria novamente. Trocaria os lençóis, as fronhas, pintaria as paredes do quarto. Rasgaria os rascunhos, as lembranças, as mágoas. Trocaria seus sonhos, suas idéias, seus costumes.
Caso o amor não fosse tão grande, ela não voltaria tantas vezes. Ela não o temeria. Cuidaria mais da sua saúde. Arranjaria outro alguém. Olharia outras fotos. Escreveria outros textos. Seria mais forte.
Mas o amor é grande, imenso, enorme. E ela parte. E ela volta. E fica nesse meio termo por dependência. Porque só ela sabe o quanto de veneno tomou em suas viagens, o preço que paga por um pouco de segurança.
Mas ela parte aos poucos, cortando contatos, sorrisos, olhares, cumprimentos, fio por fio. Sofrendo aos poucos, lentamente, fingindo nem notar que dia após dia vai matando seus desejos.



Bruna Berri