sexta-feira, 6 de março de 2009

Distante


Ontem pude vê-lo, de longe. Era escuro, já tarde da noite, mas sua estrutura é inconfundível. Já fazia meses que não o via. Dias que não lembrava de sua existência.
Nós fixamos por 5 segundos, não sei se fui reconhecida... na verdade nem me importo.
Já fazia tempo que havíamos sidos enterrados. Há tempo não existia “nós dois”. Era eu e ele, desunidos. Histórias diferentes, destinos diferentes.
Não lembro ao certo o que nos unia. Nem como chegamos aonde chegamos. Mas lembro que te via passar várias vezes por mim, e pude observar o quanto aquilo me encantava.
Atraia toda a minha atenção, todo o meu sentimento. Me sentia nervosa, agoniada. Não sabia o que falar, se devia falar. E então eu ria, ria de mim, da situação, de você, da vida. Sorria porque não havia palavra nesse mundo que pudesse expressar o que eu sentia ao ouvir sua respiração forte.
Não sei se foram as derrotas, ou o quando me amarguei com a vida, mas hoje trago em mim muita indiferença a tudo e todos. Mas nem sempre foi assim.


Bruna Berri

segunda-feira, 2 de março de 2009


Estou quase sem voz diante da situação. Vejo a luz e o escuro juntos, o tempo todo. Lado A e Lado B. Fogo e água. Mas eu não quero, eu não quero dois lados. Quero um só, quero ter certeza. Quero poder olhar e ter uma resposta convicta. Largar o “eu não sei” do meu cotidiano.
Eu só desejo realmente a verdade. Se não for pedir demais.


Bruna Berri

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009



"Como uma segunda versão de um livro ruim... Se esperava pouco dele, mas se esperava."

Bruna Berri

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


"Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável."


Caio Fernando de Abreu

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Hora de partir?


Ele era como um peixinho, como um peixinho que não tinha conhecido nada além de seu castelinho sujo e pedrinhas coloridas que enfeitavam seu pequeno aquário.
Não é que ele não gostasse do lugar onde estava, ele era feliz ali. Mas ele sabia que havia um mundo muito maior a sua espera, um mundo muito melhor.
Ele não queria ser ingrato, mas há tempo o castelo não mudara, e suas pedrinhas quase não mudavam de posição. A cor da parede continuava vermelha, e o velho retrato preto e branco de um jardim possivelmente colorido continuava intacto no centro da parede.
A vontade de mudar se tornava angustiante com o passar dos dias, a vontade do novo. Mesmo não sabendo o que esse novo reservava.
Ele tinha pena de largar tudo, pois afinal, com a sua partida o castelinho se sentiria solitário. Justo ele, que esteve sempre ao seu lado, lhe protegendo nas noites barulhentas, dos dedos tortos e sujos das crianças, do gato mesclado de olhos laranja.
Partir era difícil, ainda mais quando falamos de um mundo desconhecido e geralmente sem volta. Mas às vezes, na maioria das vezes, necessário.
Porém havia o vidro, e isso realmente o encantava. O vidro lhe dava o infinito. Era como água sólida e quentinha. Era como, era como, era como... ele não sabia explicar o quanto era.
Mas ele também não podia esquecer das pedras. Tão coloridas, tão pequeninas que o faziam se sentir gigante. Às vezes, quando perdia o sono, ele pensava nelas. O seu colorido ficaria sem saturação se não fossem as pedrinhas que tonalizavam o ambiente.
E no fundo, ele até gostava da parede vermelha, e o quadro descolorado lhe dava a sensação de ser ainda mais vivo.
E então ele ficou. Mas para querer ficar, teve que querer partir.

Bruna Berri