quarta-feira, 8 de abril de 2009


A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos.
O tempo não pára!


Cazuza

terça-feira, 7 de abril de 2009

Manicômio ilusionário


Estou triste, mas sempre estou triste. Sempre no mesmo quarto branco sem janelas, apenas com uma porta camuflada e sem fechadura. Quisera eu matar todos os olhares indiferentes refletidos na parede nua. Quisera eu matar meus sonhos aos bater minha cabeça na parede, mas era tudo muito macio.
Me sentia mordida, ferida, bagunçada. Presa aos meus próprios conflitos. Justo eu que sempre fui tão decidida, que sempre fui tão convicta. Eu estava duvidando de mim, da minha capacidade de continuar. E eu realmente precisava partir. Mas não havia mais nada além de mim. E para querer o novo, era necessário abandonar o velho.
E hoje era o dia.

Bruna Berri

sábado, 4 de abril de 2009


O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói.

Cazuza


As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela. Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém. As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida. Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você. O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Mário Quintana

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Reconstruindo muros


Penso que bater as asas não adianta, é preciso saber voar, entrar no embalo, participar da sintonia. Difícil fazê-lo quando elas estão quebradas, quando o vento passa direto, assim como passa pelas folhas secas, sem levá-las a lugar nenhum. Deixando apenas o arrepio gélido, os pedaços perdidos.
Triste não poder partir, ter os pés acorrentados, as mãos atadas, asas quebradas. Difícil ter que ficar e sorrir. Melancólico ter que continuar escrevendo a história ignorando os calos doloridos que permanecem resistentes sobre as mãos.
As brasas esquecidas em uma lareira suja não acendem mais. Os dedos amputados de uma criança inocente não voltam a crescer. O passado rasgado, apagado, esmigalhado, não volta jamais. A mentira contada nunca será sincera, assim como asas não se concertam.
Nada se reconstrói, não existe o meio termo, é ou não é.


Bruna Berri