quinta-feira, 23 de abril de 2009

A certeza não nos trai



Me sinto muito bem ultimamente, encontro aos poucos pedaços de mim que não se manifestavam há tempos. Encontro perdido longe de mim sorrisos que eu buscava desesperadamente há meses. Longe de mim, mas ao mesmo tempo presente constantemente.
Acho engraçada a maneira que não me surpreendo com você. Não que sejas comum – longe disso – mas já pareço acostumada com suas manias e imperfeições bizarras.
Complicado dizer que gosto tanto de seus defeitos como de suas qualidades, porque são principalmente neles – nos defeitos quase imperceptíveis – que encontro a nossa graça. A mesma graça que faz meus músculos faciais se contorcerem em um sincero, enorme, sorriso no meio da rua, na chuva, com frio.
Não consigo encontrar algo que me perturbe, que me incomode. Gosto de suas intromissões e inconveniências incomuns. Gosto do jeito moleque que sorri. Do jeito que meche a boca quando está ansioso. Do jeito que imagina a vida, que sonha com a vida. Do jeito inconsciente que cuida de mim, me tratando de igual para igual. Gosto do jeito...
Sabe, é isso, é o jeito que faz tudo tão intacto, tão real. Era a certeza da verdade, e é essa verdade que faz com que eu me sinta muito bem ultimamente. E meu medo vai embora. Porque temos tanto a aprender, tanto a descobrir, tanto a segurar com as mãos e não deixar cair... Que não poderíamos estar menos eufóricos.
Então querido, não se preocupe tanto comigo, enquanto você estiver aqui eu estarei feliz!


Bruna Berri

quarta-feira, 22 de abril de 2009


Cuide de quem corre do seu lado e de quem te quer bem. Essa é a coisa mais pura.


(Pontes indestrutíveis - Charlie Brown Jr.)

segunda-feira, 20 de abril de 2009


"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza."


Caio Fernando de Abreu


"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."


Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Desejo proibido



Caso o amor não fosse tão grande, ela partiria. Não olharia para trás, não evitaria olhares e sorrisos. Lavaria todas as roupas com o cheiro dele e as usaria novamente. Trocaria os lençóis, as fronhas, pintaria as paredes do quarto. Rasgaria os rascunhos, as lembranças, as mágoas. Trocaria seus sonhos, suas idéias, seus costumes.
Caso o amor não fosse tão grande, ela não voltaria tantas vezes. Ela não o temeria. Cuidaria mais da sua saúde. Arranjaria outro alguém. Olharia outras fotos. Escreveria outros textos. Seria mais forte.
Mas o amor é grande, imenso, enorme. E ela parte. E ela volta. E fica nesse meio termo por dependência. Porque só ela sabe o quanto de veneno tomou em suas viagens, o preço que paga por um pouco de segurança.
Mas ela parte aos poucos, cortando contatos, sorrisos, olhares, cumprimentos, fio por fio. Sofrendo aos poucos, lentamente, fingindo nem notar que dia após dia vai matando seus desejos.



Bruna Berri