terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Adeus, Meus Sonhos!



Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus?
Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!

Álvares de Azevedo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

TYMOS


Paixão. Outrem. O outro. Alguém. O que não se diferencia. Não se enquadra. Que não aparece. Outro eu mesmo que não sou eu. Alma deserta. Mas uma réplica minha. Experiência. Experiência minha que percebe um outro eu mesmo que não é o eu. Que não está nas coisas. Não está no corpo. Mas come no banquete dos meus sonhos. Que sonhos? Eu já nem sonho. Eu já nem como. Nesse relacionamento mudo. Medonho. Nessa falta imensa, que nunca achei que, acordada, pudesse sentir. Meus sentidos dualizam. Capto-me em seus ouvidos. E quando percebo, é sua a voz que sai de minha boca. Que me seduz. E me transforma. E já nem sei se sou eu ou se sou o outro. O que não sei. Mas não saber, às vezes no canto escuro do quarto, dá uma paz imensa, com uma falta imensa de um segredo imenso que não sei onde está. Onde está? Em parte alguma. E nem se define. Mas eu tento. Repito. Persisto. E mergulho. Onde não sou apenas para mim, mas também sou para outrem. Nesse silêncio inexistente, Que vem trazendo a angústia. Confunde. Mente. Abala-me. Curva minhas mudanças climáticas. Como na loucura que não se estuda, mas se vive. Tudo o que existe é meu. Existo? Encontro o meu corpo assim com encontro o outro. Me encontro no outro. Eu sou o outro. Eu sou o outro quando ouço, no cantinho do cérebro, quase no dedinho do pé, uma voz que vem de mim, mas não é a minha. Eu sou o outro na lembrança que dá falta. Na lembrança que dá ânsia. No fenômeno psíquico. No afeto. Na perda. No gozo. Eu gozo. Tu gozas. Perdemos. Alguém. O outro. Outrem. Paixão.

Bruna Berri

sexta-feira, 25 de novembro de 2011



"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.” 
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 26 de outubro de 2011


Hoje, ao meio de um ônibus de sorvetes, senti muito a sua ausência. Senti uma falta imensa, uma saudade gigantesca, que eu nunca achei que, acordada, pudesse sentir. Não me lembro mais se o que eu sinto é verdade ou mentira, se é mera ilusão do tempo, do sonho, no inimaginável imaginado, ou se é fato. Embora eu pense que se fosse fato, eu saberia. Contudo, não sei. E esse não saber me traz uma paz imensa, com uma falta imensa, com um não saber imenso, com um segredo imenso que não existe. Só que às vezes, estranhamente, penso muito em você e pergunto-me, escondido, se você, às vezes, estranhamente, pensa muito em mim também.

Bruna Berri

quarta-feira, 7 de setembro de 2011


"Tanto faz se depois for nunca mais."