Bruna Berri
terça-feira, 14 de maio de 2013
terça-feira, 23 de outubro de 2012
O inferno são os outros.
Meu inferno são os outros que
penso que existem, mas não sei se estão aqui. Pode ser que você não passe de
uma estranha desenhada em uma camiseta. Puro toque de um outro que me tocava –
e era tocado – e hoje murcha ao me ver. Tenho medo de negar sua realidade, para
não chateá-la – para não chatear-me. Lembro do cabelo negro sobre sua pele
branca, translúcida. Lembro do sorriso amarelado, quase cruel. Lembro dos seus
olhos amendoados, punitivos. Mas não lembro de suas vestes. Não lembro se seus
longos fios eram lisos ou cacheados, mãos grandes ou pequenas, o som de um riso
amargurado. Faz tanto tempo que você não aparece que quase não lembro do seu
semblante. Você permite que eu pense que meu passado foi um surto, uma alucinação.
É isso que me dizem todos os dias e já fazem quatro anos que você não está aqui
para me contar quem é que me diz a verdade. Joaquina, você se lembra de mim?
Pois não me esqueço de você.
Bruna Berri
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
(ABREU, C. F.)
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