domingo, 15 de setembro de 2013


Sou aquele tipo de flor vermelha barata, comprada em qualquer feira, que não se nega a abrir para qualquer ameaça de raio de sol que surge no céu de algodão doce. Tenho a impressão que você me vê em preto e branco, que você é o dia cinza que me mata a sede. Temo que um dia as gotas salgadas que caem de nosso amor transbordem meu vaso pequeno, que minhas raízes se adaptem ao ambiente chuvoso. Talvez apodreçam em seu jardim. Meu monóxido de dihidrogênio. Embalagem de celofane que me sufoca.


Bruna Berri

terça-feira, 14 de maio de 2013



Fiquei pensando onde é que ela foi perdida, em qual estação-não-frequentada-por-viajantes-do-tempo foi esquecida. Lembrei de quando seu guarda-chuva vermelho partiu-se ao meio. Dizem que até hoje ela corre atrás do vento para tomar satisfações. 

Bruna Berri

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O inferno são os outros.



Meu inferno são os outros que penso que existem, mas não sei se estão aqui. Pode ser que você não passe de uma estranha desenhada em uma camiseta. Puro toque de um outro que me tocava – e era tocado – e hoje murcha ao me ver. Tenho medo de negar sua realidade, para não chateá-la – para não chatear-me. Lembro do cabelo negro sobre sua pele branca, translúcida. Lembro do sorriso amarelado, quase cruel. Lembro dos seus olhos amendoados, punitivos. Mas não lembro de suas vestes. Não lembro se seus longos fios eram lisos ou cacheados, mãos grandes ou pequenas, o som de um riso amargurado. Faz tanto tempo que você não aparece que quase não lembro do seu semblante. Você permite que eu pense que meu passado foi um surto, uma alucinação. É isso que me dizem todos os dias e já fazem quatro anos que você não está aqui para me contar quem é que me diz a verdade. Joaquina, você se lembra de mim? Pois não me esqueço de você.

Bruna Berri

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


Nessa noite mal dormida o pensamento, por instantes, foi inevitável. Será que se eu estivesse com você estaríamos ambos de saco cheio por acordar cedo na segunda ou morreria junto naquele carro? E se?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012





Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

(ABREU, C. F.)