quarta-feira, 25 de julho de 2012



"Meu ser é de faca não de flor." C. F. Abreu

quarta-feira, 27 de junho de 2012



Sinto vontade de reencontrar as palavras que perdi não sei bem onde, não sei bem quando, não sei por quê. Às vezes releio e sinto uma leve dor no peito, não choro. Talvez as palavras se foram com as lágrimas. As lágrimas que não choro mais. Há dias, antes de fechar os olhos me questiono se não choro porque sou feliz, eu não sei. Tenho vomitado mais... Palavras, não venham tão rápido assim. Já não tenho toda aquela rapidez dos 14 anos, eu, que não iria jamais crescer, tenho cérebro e corpo de adulto chato. Com 14, me lembraram ontem, eu pausava uma conversa para desenhar bonecos e suas expressões faciais. Hoje, não consigo pausar uma conversa para pensar no que conversar. Eu vomito, constantemente, porque já não tenho forças para pensar no que estou fazendo. Pois não estou. Não consigo me encontrar em minhas palavras porque já não estou em lugar nenhum, já não sou pessoa nenhuma, já não produzo lembrança alguma. Já não sei se é quente ou frio o ar que eu respiro, ou se a comida que como está boa ou ruim. Sinto saudades de ter paz, e conseguir ser triste de vez em quando para poder ser muito feliz às vezes.

Bruna Berri

terça-feira, 27 de março de 2012

Um sopro de vida



Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida.Cada mudança, cada projeto novo causa espanto:meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue.

Clarice Lispector

segunda-feira, 26 de março de 2012



Um milhão vezes zero é zero. Ou seja: não coloque sua intensidade onde não tem nada

Tati Bernardi

segunda-feira, 19 de março de 2012

Anafilaxia


Morre. Morre desse jeito, com a cabeça encostada em meu peito. Renasça; segundos depois. Brota como um bonsai bem fertilizado e me dá aquele sorriso que você não sabe repetir nas fotografias. Dorme comigo essa noite, esquentando meu corpo nessa cama tão pequena que inventamos haver espaço para dois. Morre comigo essa noite que amanhã o dia é lindo. Amanhã - quando a sombra do filtro dos sonhos pendurado na janela produzir um mosaico em seu rosto - vou rezar para que você tenha sobrevivido. Por Deus, que eu não tenha te sufocado demais, que eu não tenha apertado demais entre os dedos esse coração que temo tanto perder, que eu não tenha roubado teu brilho por puro egoísmo em desejá-lo só para mim. Por favor, abra os olhos, desliza teu corpo em meu corpo. Morra mil vezes por dia só para me encontrar. Morra. Comigo. Outra vez. Acorde como num choque elétrico em que seu coração desiste, mas é loucamente forçado a pulsar, porque simplesmente ainda não é a hora de ir embora.

Bruna Berri