terça-feira, 18 de agosto de 2009

Em seu lugar


Gostava muito, impossível explicar. Sempre considerou a felicidade intensa demais para transformá-la em palavras.
Seu sorriso explicava tudo, impossível não sorrir diante daquele olhar. Olhar que tinha efeito de cócegas nos joelhos, cócegas na barriga, cócegas onde quer que fosse. Olhar que derretia o gelo, aquecia a vida. Olhar que por vezes tão distante preocupava instantaneamente... "Ei, volta pra cá. Estou aqui agora, sempre estive."
Seu abraço sufocava os medos, as dores, e só deixava ali seus vazios cada vez mais preenchidos. E então esquecia do mundo... "Espera, põem os pés no chão". Costumava ter sempre os pés firmes - quase enterrados - no chão, mas agora não estava, e gostava, amava.
Sabia bem de quem lembrava ao sentir o cheiro de chuva que entrava pela janela. Sabia bem quem era aquele que tocava o mais fundo de si. Sabia bem onde queria estar, e estava, amava.

Bruna Berri

domingo, 9 de agosto de 2009


"Há em você alguma coisa de mim. Alguma coisa que eu vejo e me acalma. Como se eu pudesse deitar de novo no lugar de onde vim, pois só você sabe que lugar é esse. Então você me entende. E eu não me entendo tanto quanto entendo de ti. Talvez isso seja amor. Talvez não. Seja lá o que for, é incondicional."


Fernanda Young

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"Quantas vezes é possível perder algo ou alguém por um simples mal entendido? Quantas e quantas vezes a palavra não serve para nada, ou pior, presta-se apenas para piorar o estado das coisas? Não que o silêncio seja esclarecedor. O silêncio num rosto inexpressivo é um túmulo."

Fernanda Young

Relances solitários



Sou a favor daqueles que pensam em não dizer. Se você não sente, não diga... Pois há quem sinta, e quem espera ouvir, e há quem cairá ao perceber o quão fracas podem ser as palavras. Se você não espera perder o seu fôlego, não tranque a respiração. Pois vai parar de respirar assim que quiser mais e isso sufoca. E, particularmente, isso me sufoca de uma maneira irreversível... Céus! Não quero partir, não quero desistir agora. Contudo, quando se está à beira de um abismo, ele te consome por inteiro. E se você não espera ser controlado, mantenha seu controle intacto.

Mas não há nada que me tire tanto o controle quanto sua indiferença.


Bruna Berri

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Me deixa.


E lá vou eu chorar minutos e minutos, como se chorar resolvesse muito de meus problemas. Lá vou eu afundar a cabeça no travesseiro como se isso fizesse adormecer todos os meus medos, minhas insônias. E então eu sento no telhado e experimento o vazio, quisera eu permanecer sozinha no frio por muito tempo... Até que os sentimentos congelassem e eu não chorasse por mais nada.
E como eu odeio passar frio. E veja só quantas estrelas no céu, quanto fogo nesse inverno... O qual obviamente não posso sentir. Um arco-íris nas mãos de um cego. Depois me perguntam por que diabos não sonho. Sonhar? Sonhar pra quê? Quero tudo imediatamente, mas de imediato não posso querer nada.


Bruna Berri